quarta-feira, 30 de novembro de 2011

                                         





Querida mamãe,


Esta noite acordei estranhando o silêncio. Não havia barulho algum e pensei que o mundo tinha até acabado e você esquecido de mim. Coloquei a boca no trombone e você apareceu. Ainda bem.

Fiquei tão feliz no calor do seu peito que acabei pegando no sono antes de mamar tudo o que precisava. Quando percebi que você ia me colocar no berço, chorei de novo. Mas não tente negar, você estava com pressa para ir dormir outra vez.

Você me deu de mamar novamente, assim, meio apressadinha e depois resolveu trocar a minha fralda. Estava tudo calmo, um silêncio, nós dois juntinhos, tão legal que eu perdi o sono. Você até que foi compreensiva, mas começou a bocejar um pouco e resolveu me fazer dormir. Eu não queria dormir. Talvez eu precisasse de mais dez minutos ou meia hora, mas você estava mesmo decidida a dormir. Foi ficando bem nervosa e até chamou o papai e todos fomos ficando muito irritados. No final das contas, acordei a casa inteira cinco vezes.

Pela manhã, nossa família estava com cara de quem saiu do baile. Acho que estraguei tudo. Imagina, você chegou a dizer para o papai que eu estou com problema de sono. Eu não! Você é que vem me dar de mamar com pressa e daí eu sinto que você não quer mais ficar comigo. Os adultos têm hora certa para tudo, mas eu ainda não entendi essas coisas de relógio e tarefas estafantes que vocês precisam fazer.

Quando meu corpo está com o seu, quero ficar do seu lado sem me separar nunquinha. Do alto dos meus três meses, ainda não descobri direito que você é uma pessoa e que eu sou outra. Um dia eu vou sair por aí, vou telefonar e posso deixá-la doida para saber o que ando fazendo e, então, você vai entender como me sinto agora.

Mas não precisamos dessa guerra, mamãe. Até lá já podemos nos entender, inclusive pelas palavras. Sinto a angústia da separação, pois acabei de passar por essa experiência. Você também, mas vive tudo isso como uma adulta consciente. Eu ainda estou vivendo no inconsciente. Eu não sei nada, tudo é tão novo para mim aqui fora. Mas eu tenho absoluta certeza de que eu vou aprender tudinho o que você me ensinar por seus sentimentos em relação a mim.

Mamãe, você quer um conselho de bebê? Quando eu chorar à noite, não salta logo para o meu quarto desesperada como se o mundo fosse acabar. Espere um pouco, respire profundamente, ouça o meu choro até que ele atinja o seu coração. Sinta seu tempo, realmente acorde e venha me pegar. Me abrace devagar, não acenda a luz, fale bem baixinho e me dê o seu peito para eu mamar.

Depois que eu arrotar, mais um pouco só de paciência pois, nós bebês, somos sensíveis aos sentimentos dos adultos. Se eu sentir que você está com pressa, sou capaz de armar o maior barraco, mas se você esperar o meu segundo suspiro, quando meus olhos ficarem bem fechados, minhas mãos e pernas ficarem bem molenguinhas, aí sim, pode me colocar de volta no berço que eu não acordo antes de sentir fome outra vez.

À medida que você desenvolver sua paciência, mamãe, eu estarei desenvolvendo a minha tranqüilidade e nós não teremos mais noites infernais. Apenas noites de mamãe e bebê, que um dia passam, como tudo na vida.

*Claudia Rodrigues. Jornalista e Terapeuta Somática.

Esse texto é para todas as mamães e papais que, assim como eu ,infelizmente, ficam várias noites em claro. Paciência! E amor.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.

A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.


A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.

A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.

A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti
sábado, 12 de novembro de 2011


Não foi descaramento,

Nela não havia maldade.
Apenas impulsos, arroubos,
Sintomas da pouca idade.
Ovelha negra era agora
Na boca da sociedade

Sua barriga crescia,

Seu vestido encurtava,
Sua cintura antes fina,
Dia a dia engrossava,
E o filho feito a dois
Sozinha ela carregava.

Seguiu firme sua sina

Carregando barriga e dor.
Lembrava da mãe de cristo
Que pelo seu filho lutou.
E entregava seu destino
Nas mãos do seu redentor.

E em momento nenhum,

Seu ato a envergonhou.
Com o nariz empinado,
A caminhada continuou.
Segurou firme nos braços,
O que o ventre lhe ofertou.

Boa mãe é com certeza,

E a outro filho deu a luz.
Continua mãe solteira,
Sem achar que é uma cruz.
Sem dizer amém as regras
Que a sociedade produz.

Apontada como exemplo,

De mãe bem sucedida,
Pelos que antigamente
A chamavam de perdida.
Ela sorri ironicamente
Das voltas que dá a vida.



Às vezes me pego pensando
Tentando encontrar uma razão
Tentando achar as respostas que a vida ainda não me deu
ou os sinais que eu não quis enxergar.

Não sei se somente eu sou assim,
Mas vivemos como se não houvesse um fim

Desperdiçando palavras e gestos,
Desperdiçando o tempo como se ele fosse infinito
Vencendo limites, como se isso significasse vitória
Superando expectativas, dos outros!

Magoando por pouco
Às vezes gritando como um louco,
Perdendo a razão, pela vaidade
Perdendo a vaidade, sem razão.

Pena que, só às vezes, me pego pensando !




Estive pensando esses dias... Aliás, todos os dias! Estou apavorada em ver como tudo passa tão rápido!! Parece que foi ontem que engravidei e percebi que iria me tornar uma mãe solteira. Comecei a procurar informações sobre como as mães solteiras lidavam com isso.
Antes, eu imaginava dois tipos de mães solteiras: o primeiro tipo eram mulheres jovens, desmioladas, que transavam irresponsavelmente sem camisinha com um namoradinho qualquer, eram mal-vistas pela sociedade. O segundo tipo englobava mulheres independentes, com vida construída, que simplesmente queriam um "touro reprodutor" para gerar um filho, pois não tinham a menor vontade de construir uma vida junto com “esses seres”.

  
Então, um belo dia, me vi grávida!!! Meu sonho tinha se tornado realidade pelo menos em parte. Sempre sonhei em ser mãe, mas também sempre sonhei em ser mãe com o meu príncipe encantado do lado!..rs... Alguém que iria compartilhar comigo os momentos maravilhosos do bebê e os ruins também.
Então, o tempo passou, o meu príncipe encantado era um SAPO, então larguei de mão. Umas semanas depois, descobri que tava GRÁ-VI-DA. Quando dei por mim, meu ex tinha virado um inimigo e então eu me vi uma grávida solteira!!!

O que é que tinha acontecido comigo? Pensei. No começo foi bem difícil, não sabia como seria minha vida, não sabia como eu educaria minha filha sem a figura masculina, não sabia nem como me comportar!!! O que diriam de mim? Uma grávida solteira? O que é que eu responderia quando me perguntassem do pai????

Demorou uns 5 meses para eu aceitar a minha condição!!!! Procurei informações de tudo quanto é tipo, com amigos, conhecidos, orkut, MSN, bate papo... tudo!!!

Mãe solteira!!! A minha ficha caiu quando minha filha começou a se mexer dentro de mim!!! Percebi que nunca mais eu estaria sozinha!!!! Teria sempre alguém para amar e alguém que me amasse também!!!!  

Vi mulheres guerreiras, que apesar das histórias de cada uma delas, todas estavam aí, firmes e fortes!!! Vi mulheres que defendiam os direitos de suas crias com unhas e dentes. Vi mulheres corajosas, que continuavam a aproveitar as suas vidas da melhor maneira possível!!!

E hoje, minha menina tem 4 meses já! É claro que tudo continua muito difícil. Não estou trabalhando, o pai evaporou, vou ter que acioná-lo na justiça, coisa que eu não queria e evitei, mas...
Vale à pena, sabe?? Minha filha é tão linda!!! Já acorda com um lindo sorriso pra mim, conversando é uma lindeza!! Faz sonzinhos com a boca, imitando a gente... Muito bom ser mãe. Muito bom saber que alguém depende do nosso amor...

#AMOMINHAFILHA
segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Gente, como a vida passa rápido! Minha filha já está com 4 meses!!! Linda, "falante", já faz pirraça, nem bem ainda foi criada e já faz malcriação!! Esses dias escapou pelo "buraco" do carrinho! Estava com minha mãe em casa. No outro dia, saí 1 minuto do quarto e a deixei deitada, imóvel, pois tinha acabado de acordar. Quando voltei, ela estava de bruços!!! Fala feito uma tagarela e canta quando ouve uma música!!!! Adora se olhar no espelho. Brinca com as próprias mãos, quer pegar as coisas que vê. Ela já fica quietinha no berço, acordada, simplesmente brincando com as mãos ou olhando pra fadinha que tem na parede, com as suas mãos dentro da boca, toda independente. Fica até mais um pouquinho no berço de manhã, antes de começar a gritar e a tossir pra me chamar. E outra: Não posso deixá-la na cama e me sentar no computador, porque ela também fica gritando pra chamar minha atenção.

4 meses! O papai tão longe, desinteressado, perdendo os melhores momentos do desenvolvimento da Nanna.
Falando nele, tive que mudar de ideia pelo bem da minha filha. Ela tem o direito de usar uma sapato do tamanho do pé dela, como não estou trabalhando e dependendo totalmente da minha mãe, ela tá usando um sapatinho apertado no pé dela. Tadinha, não merece isso. As fraldas estão acabando, a quantidade de mamadeira está aumentando porque ela tá crescendo e tendo mais fome, com isso, dou mais mamadeira porque leito do meu peito só não é suficiente. Começou a comer frutas, papinha salgada, tudo isso é gasto. Meu coração de mãe fica apertado quando precisa comprar alguma coisa pra ela e não posso, porque tenho que pedir a minha mãe, que deveria apenas estar curtindo a neta e não sustentado-a. Queria poder comprar as roupinhas lindas que vejo, os brinquedos divertidos, acessórios. Mas se Deus quiser vou poder. Isso é passageiro. E enquanto não posso, vou colocar o sr. pai na justiça pra que ele dê os R$100,00 dele. Ele disse que ia pedir DNA se eu pedisse pensão, só pra demorar mais a pagar a pensão porque disse ele que teria que esperar o resultado do DNA pra começar a pagar. Infelizmente, minha filha é a cara dele e felizmente ele vai se quebrar quando olhar o resultado do teste. Boa sorte, sr. pai.

Falando de coisa boa:

Ontem furei a orelhinha da minha princesa! Nossa! Como ficou linda, não consigo parar de falar isso pra ela. Rsrsrsrs

O carrinho Stokke Xplory é a bola da vez entre as mamães descoladas de Hollywood e NY. Por aqui, a Adriane Galisteu já foi vista com Vittorio a bordo de um. Além do design super inovador e moderno, cada detalhe do carrinho foi pensado para cuidar melhor do bebê possuindo: tecidos leves que envolvem o assento para proporcionar maior conforto e proteção, visor dobrável que oferece sombra extra, bolsa na parte inferior para guardar roupas e acessórios do bebê, proteção acolchoada para um ajuste confortável aos recém-nascidos, descanso para os pés ajustável para o crescimento da criança e viseira que permite ventilação adicional.



O carrinho permite que os pequenos fiquem em várias posições: completamente deitados, inclinados ou sentados de frente para quem está empurrando ou para o mundo. A ideia é que o carrinho cresça com a criança atendendo de bebês recém nascidos aos três anos mais ou menos. Em várias cores legais também possui uma coleção de acessórios. Vale conferir.

O mimo porém tem seu preço, nos sites da internet custa em média US$ 1,000. Imagina aqui no Brasil por quanto será vendido.


Infelizmente, minha pequena vai crescer 
antes que eu possa desfrutar desse sonho!

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Aos 34 anos, sagitariana com ascendente em capricórnio (discordo, mas fazer o quê?!), do Rio de Janeiro (com louca vontade de morar num lugar tranquilo), estudante de psicologia (mas cheia de problemas de cabeça. rsrrsrsrs), mãe e pai da pequena Bia, de 5 anos. E esse blog fala da nossa trajetória, dos meus sentimentos, minhas muitas lamentações, etc.

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