domingo, 14 de outubro de 2012
Olá, meninas!


    Em julho escrevi um post sobre a Sibutramina (Você pode ler aqui). Estava com 72 kg e tomando a Sibu havia 2 meses. Agora já se foram uns 5 meses e estou com 69 kg. Estou tomando os últimos comprimidos da minha última caixa. Não vou mais tomar, porque não tenho sentido mais efeito. A minha fome voltou. Com o tempo, o organismo se acostuma. E como eu não faço uma dieta muito rigorosa e não pratico atividade física, não emagreci tanto assim. Mas é um remédio muito bom para perder peso rapidamente.
    Agora comecei a tomar Óleo de Cártamo. Espero que me faça algum efeito. Quero chegar aos 65 kg.
    Semana passada fui à uma consulta com um cirurgião plástico para fazer Lipo lá no trabalho. Mas ele disse que eu precisaria fazer atividade física. O que ele não entende, é que eu NÃO TENHO TEMPO!! Não é preguiça, não tenho horário!! Saio de casa 05:55 hs e saio do trabalho às 16:30 hs. Venho correndo pra casa, porque minha filha chega da creche às 18:30 hs. O trânsito está massacrante, não dá trégua. Muitas vezes, quem recebe o transporte escolar é meu irmão, porque nem consigo chegar às 18:30 hs. Só que ele não quer... Eu é que pedi que ele ficasse com Bia até eu chegar... E ele não teve escolha. E faz pela sobrinha dele, não por mim...
    Enfim, o cirurgião falou que eu tenho que fazer uma atividade física e perder os 2 kg que estão sobrando em mim. Ele fez o cálculo do meu IMC e constatou isso. Pra mim estou uns 5 kg acima do peso e 3 kg são só de barriga. hauhauahauahaua Nesse caso, só uma lipo. Mesmo que eu malhe, a barriga fica aqui, nós mulheres sabemos disso.
    Volto na consulta em janeiro, espero que com 5 kg a menos, que é o meu alvo e não o do médico. Espero que nesse dia ele esteja de melhor humor e boa vontade e resolva me operar...
sábado, 13 de outubro de 2012


     A culpa é muito frequente no mundo materno e as pessoas fazem "o favor" de colocar mais culpa ainda sobre nós.
"Olha, não fica pegando toda hora no colo, que acostuma!"
"Olha, deixa dormir no berço, senão acostuma a dormir na cama e não sai nunca mais."
"Olha, deixa chorar, uma hora ela cansa!"
     É tanto palpite que realmente, se você não vigiar, dali a pouco está cheia de culpa.
      Minha filha NUNCA dormiu bem. Nunca².
    Dormia já no berço recém-nascida e acordava a noite toda. Até aí tudo bem, bebês querem mamar toda hora mesmo... Mas eu não aguentava mais de cansaço. Como sou mãe solteira, tive que voltar a trabalhar logo. Ela acordava várias vezes pra mamar, mesmo depois de ter largado o peito com 6 meses e eu levantava da minha cama de 2 em 2 horas, ou pra dar mamadeira, ou simplesmente pra colocar a chupeta na boca de novo, porque ela acordava resmungando. Mas, claro, eu levantava zureta, sem conseguir abrir o olho e ia cambaleando até o berço, que ficava ao lado da minha cama, no meu quarto.
Não aguentei mais. Coloquei a baby pra dormir junto comigo na cama: Uma cama de solteiro. E é perna pra cá, é braço na minha cara, é a menina dormindo de cabeça pra baixo com o pé na minha cara. Uma luta só. Não aguentei também.
     Querem saber??
     Coloquei o meu colchão no chão e o colchão do berço dela ao lado de meu. Ficou maior do que uma cama de casal e assim dormimos até bem pouco tempo. Mas ela continuava dormindo mal. Engatinhava na cama várias vezes por noite e dormia em VÁRIAS posições. Até em cima de mim, deitava pra dormir. Acordava e já queria andar e falar, em plenas 3 da manhã! Pensei até que minha filha fosse hiperativa. kkkkkkkk (Tô rindo agora, mas na hora eu quase chorava).
     Até que um dia resolvi colocá-la no berço outra vez pra testar. Ela dorme no berço na creche, então valia à pena tentar colocá-la pra dormir no berço em casa também. Se não desse certo, voltaríamos para o chão.
    Posso dizer que hoje eu durmo MUITO mais e MUITO melhor e ela também!! Não perfeitamente, mesmo porquê sabemos que depois que nos tornamos mães, nunca mais dormimos da mesma forma. Ela ainda acorda e dorme em várias posições dentro de berço, cada uma que chega a ser engraçada. Ainda acorda resmungando. Ainda não dorme a noite toda, direto. Mas logo que acorda, dorme de novo e nem faz questão de mamar mais! Eu é que às vezes ofereço a mamadeira pra ver se ela quer. Mas ela muitas vezes rejeita. E muitas vezes eu acordo mais pela preocupação de mãe mesmo, porque quando vejo, ela está num profundo sono.
     Conclusão: Eu precisava dormir-trabalhar-cuidar dela depois do trabalho. Então, fiz o que era melhor pra mim: ter mais espaço pra dormir e, ao mesmo tempo, estar bem pertinho quando ela acordasse pra mamar ou simplesmente me procurar. E pra ela: que queria me encontrar ali pertinho quando abrisse o olho e queria mamar toda hora, nem que fosse 30 ml. Agora vejo que ela está dormindo bem no berço, então voltei pra minha cama.
     Não existe receita milagrosa que nos ensine a não errar. Vamos errar.  Isso é fato. Em alguns momentos, nossos pais erraram com a gente. Mas temos que ter consciência de que cada criança tem uma personalidade, de cada uma devemos tratar de uma maneira. As crianças não são iguais, não sendo iguais, não dá pra ser a mesma mãe com  todas. 
      Não temos que ficar nos culpando por isso ou aquilo. Algumas crianças aprendem limites, disciplina, educação, honestidade, ficando de castigo; outras aprendem quando são impedidas de fazer ou usar aquilo que mais gostam por um tempo e ainda têm outras que só levando umas palmadas mesmo!! Não vem com essa de que umas palmadas não ensina. Ensina sim. Você não é obrigado (a) a concordar comigo. Eu também não concordo com os pais que falam de boca cheia que NUNCA encostaram um dedo em seus filhos. Mas vai ver os filhos... Foram poupados de apanhar, mas se tornaram adultos insuportáveis! Pessoas que não sabem o que é limite, pessoas que querem tudo do seu jeito e na sua hora, pessoas sem disciplina nenhuma. Porque os pais nunca colocaram de castigo, nunca encostaram um dedo pra bater, mas acabam por se lamentar que o(a) filho(a) se transformou num adulto agressivo, rebelde, que xinga os outros, que arruma confusão na rua, etc...
      Minha filha só tem um ano. Já tem que começar a aprender certas coisas. Vou colocá-la de castigo? Arrumar uma cadeirinha do pensamento pra ela?? Falar pra ela que se ela não parar de mexer na vasilha de ração/água da nossa cachorra, eu não vou mais deixar que ela brinque com um determinado brinquedo?? Ou vou deixar que ela faça o que quiser já que ela é pequena demais e não entende nada?? Gente, não dá. Desde cedo ela tem que aprender que ração não se come. Ela não pode levar um tapinha na mão (sem machucar, é claro) e minutos depois voltar ali pra comer ração novamente!! Ela até volta, porque dar educação é um processo lento, mas já vai olhando pra mim e sabendo que está errada... Aí, eu faço o quê? Mudo a vasilha de lugar até quando ela fizer 3 anos e pronto? Não, prefiro ensinar desde cedo.
       É isso aí... Têm vários outros motivos que deixam as mamães cheias de culpa...
         E você, mamãe, já sentiu alguma??

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.



A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.




(1972) Marina Colasanti

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Aos 34 anos, sagitariana com ascendente em capricórnio (discordo, mas fazer o quê?!), do Rio de Janeiro (com louca vontade de morar num lugar tranquilo), estudante de psicologia, mãe e pai da pequena Bia, de 5 anos. E esse blog fala da nossa trajetória.

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