quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Lendo uma matéria sobre uma carta que a esposa traída enviou à ex-amante do seu marido, muitas coisas me voltaram à cabeça e decidi escrever uma também. Não quero que o destinatário leia, nem há essa possibilidade, mas desejei escrever como uma forma de desabafo.


Querida ex do meu ex,


Há algum tempo você decidiu me enviar uma mensagem através do meu bate-papo no Facebook e isso foi como um grande soco no meu estômago. Aliás, foi como socos seguidos no estômago. Lembra-se que dia era? Dia 31 de dezembro, véspera de Ano Novo. Estávamos pra lá e pra cá, meu namorado, nossos amigos e eu, arrumando tudo para o nosso réveillon. Sempre amei viradas de ano. Talvez fosse uma das duas melhores datas pra mim, porque a outra era quando eu fazia aniversário. Queria que você tivesse esperado pelo menos até o dia 1º de janeiro.
Eu me perguntava por que você escolheu essa data. Na certa sabia o quanto estragaria o momento de felicidade que preparávamos pra passarmos juntos, eu e meu namorado. Sabia o quanto seria marcante pra mim e que teria uma grande briga naquele dia, satisfazendo assim o seu ego, a sua vontade e também colocando em prática o seu plano de vingança. O fato era que o seu ex não queria mais voltar a ter um relacionamento com você, mesmo que casual, como foi relatado por você mesma na mensagem que me enviou.
Pensava também em como você me odiava por eu ter entrado na vida do seu ex, como se eu fosse a culpada do término do relacionamento que já havia acabado há anos. Até minha filha você atacou com suas palavras, tamanho era o ódio. E minha filha, com apenas três anos, o considerava como pai. Não tinha culpa também.
Sei bem o quanto é ruim amar alguém que não nos ama. Sei como é passar dia após dia pensando naquele cara e desejar a presença dele com todas as forças. E sei o quanto fere saber que ele já está em outra, já refez a vida e seguiu. E era isso que você sentia. Mas se ele não queria mais ter uma vida com você (ou pelo menos ele dizia e demonstrava isso), eu já não podia fazer mais nada. Não foi culpa minha. Nos conhecemos bem depois da separação de vocês.
Me perguntava também por que você deixou se passarem 6 meses para me contar sobre a traição. Será que foi quando você perdeu a esperança de tê-lo junto a você novamente numas horas de sexo casual?? Quem sabe depois dessas horas de “amor” de vocês, você não achou que ele iria me abandonar pra voltar pra você?Ou pelas duas coisas?? E o quanto esse encontro foi premeditado por você?? Você realmente queria apenas umas horas de sexo com ele ou apenas uma forma de me ferir quando me contasse? Ou ainda apenas nos separar?? Mas ele não me deixou e isso te feriu ainda mais. E você teve duas opções: ou deixar que ele seguisse em frente e tentasse ser feliz ao meu lado ou destruir aquele relacionamento que te cortava o coração. Você escolheu a segunda opção. E você esperou o momento certo pra me contar. Talvez você já não agüentava mais nos ver sorrindo juntos nas redes sociais. Tantas perguntas que já não espero resposta. Eu não entrei em seu relacionamento, você que entrou no meu.
Você disse naquela mensagem que ele havia me traído com você no dia 11 de junho, um dia antes do dia dos namorados. Aliás, ele me enviou um buquê de rosas lindas no meu trabalho no dia 12, as quais joguei no lixo, porque ele havia sumido no dia anterior realmente e, pela primeira vez, desligado o celular. Estávamos realmente brigados, mas liguei muitas vezes pra ele e estranhei saber que tinha desligado o telefone, porque mesmo quando brigávamos, ele não fazia isso. Então, 6 meses depois quando você me enviou a mensagem me detalhando até sobre a desculpa que ele tinha dado, eu juntei o quebra-cabeça e não tive dúvidas de que era verdade. E também não tive dúvidas de que foi tudo premeditado. Só ele não percebeu a cilada em que estava se metendo. Homens são assim.
Foi bizarro pra mim, saber que o meu namorado tinha me traído com a ex que ele mais odiava, que odiava com todas as forças e por quem sempre fazia discursos de ódio. Até a sua morte o ouvi desejar tantas vezes. Então saber que a traição havia sido exatamente com você, me deixou duplamente dilacerada. Traição dupla.
Nós brigávamos, sim, como muitos casais por aí. Nunca fui perfeita e várias vezes brigava com ele por achar que eu não era pra ele o que ele era pra mim. Cobrava mais atenção. E quando soube da traição, vi o quanto eu estava certa quando achava isso. Talvez você fosse mais importante pra ele do que eu, mesmo não havendo mais relação entre vocês. Em questão de sexo, sei que eu não deixava a desejar, então não entendo até hoje o porquê dessa recaída, diante de todas as coisas que eu o ouvia falar contra você, mesmo sendo mãe do filho dele.
Hoje em dia, eu os perdoei, não sinto ódio, raiva, mágoa, nem nada. Mas queria que você soubesse o quanto foi difícil pra mim. Foi o pior réveillon da minha vida. Terminamos, ele negou durante muito tempo, até que confessou, uma vez que não tinha como negar a data e os fatos. A minha filha, como eu disse, o considerava um pai e ficava perguntando por ele todos os dias, durante mais de um ano. Até hoje pergunta e o chama de pai.
Depois eu resolvi tentar novamente, não o havia perdoado, nem jamais tinha aceitado, mas tentei dar uma chance. Fomos morar juntos, fizemos chá de casa nova, compramos móveis juntos, montamos nossa casa do nosso jeitinho. Pintamos juntos a parede do quarto, pra dar um toque no nosso “ninho de amor”. Mas em nenhum minuto eu era capaz de esquecer aquela traição. Então eu orava sozinha, orávamos juntos, eu chorava diariamente querendo sentir o perdão. Mas não teve jeito. Não teve como fazer amor, olhar nos olhos, me sentir feliz. A tristeza era constante, as brigas pioraram. Abri mão dele. Mandei-o embora. Acabou ali um namoro e um “casamento” que poderia ter dado certo.
Às vezes me pergunto o que faltava em mim que ele encontrou em você. Eu dava tudo a ele... fazia o melhor... e se brigava com ele, era apenas porque eu queria mais atenção.
Hoje trabalhamos no mesmo local, nos vemos de vez em quando e nossa vida juntos me vem à cabeça. Só eu sei o quanto eu desejei formar uma família com ele. Mas você entrou no meio. Não apenas por ter entrado, porque, afinal, ele quis. Mas por ter me contado no intuito de me ferir a ponto de eu não agüentar dar continuidade.
Mas ele já formou outra família. Está feliz.
Eu espero que você esteja feliz também com sua nova família. Pelo jeito quem saiu perdendo nisso foi só eu mesma. Cada um seguiu sua vida.
Eu espero também que você tenha aprendido com essa história e encontrado o amor, de modo que você não precise mais se enfiar no relacionamento de ninguém. E desejo muito que você nunca passe pelo que vocês me fizeram passar. Porque dói. Eu não confesso pra ninguém, mas dói até hoje.
Encontre a paz e deixe as pessoas viverem em paz!


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Aos 34 anos, sagitariana com ascendente em capricórnio (discordo, mas fazer o quê?!), do Rio de Janeiro (com louca vontade de morar num lugar tranquilo), estudante de psicologia (mas cheia de problemas de cabeça. rsrrsrsrs), mãe e pai da pequena Bia, de 5 anos. E esse blog fala da nossa trajetória, dos meus sentimentos, minhas muitas lamentações, etc.

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